segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

--- A ILHA ---- Crônica por: Eduardo Araújo.

      Ás vezes, ou quase sempre , me questiono sobre o mundo. Sobre o comportamento das pessoas e sobre a forma irresponsável , leviana e fria com que agem... Manipulam " sentimentos" em troca de benefícios materiais , sociais e profissionais. Praticam o escambo. Ato de barganha , muito frequente no homem primitivo lá no início da Civilização Humana. Onde , por não haver ainda uma moeda de compra,  eles trocavam o que tinham em abundância , com outros que necessitavam daqueles mantimentos. E estes outros , á seu turno, ofereciam em troca, o que para eles havia em igual abundância para o primeiro que necessitava daquele outro gênero de produto. E assim beneficiavam-se todos...
 Era por uma questão de sobrevivência , de instinto de conservação , de necessidade. Mas hoje, não!  É por uma questão de oportunismo , de conveniência e da safistação dos seus atos egoístas , ambiciosos e ausentes de quaisquer sentimentos de respeito ao próximo ou á Deus.
   Só que hoje é notório e evidente , que o mundo evoluiu ...  Em muitos  sentidos.  Vivemos no auge da Evolução Tecnológica. Tudo ficou mais prático , mais confortável para o homem poder viver bem em sociedade.   Mas, a mesma tecnologia que aproxima continentes, numa "Pangeia Virtual", faz com que nos comuniquemos com pessoas de todas as partes do planeta. Que tenhamos milhares de "amigos virtuais" .Mas que essa mesma tecnologia , acaba por isolar pessoas que habitam numa mesma casa.  Destrói o valor dos sentimentos. Mecaniza atos que deveriam ser humanos. O desuso do ato  de abraçar , beijar , elogiar , transmitir calor humano aos que nos estão fisicamente próximos são tristes exemplos disso tudo...   Somos " amigos" de pessoas lá no Japão. Mas somos " estranhos e distanciados" para nossos pais, nossos irmãos , nossos amigos...
  Eu me sinto isolado neste Oceano Virtual . Me sinto como uma Ilha... Tenho cá,  neste meu pequeno pedaço de chão, elementos essenciais para um ser humano viver. Tenho minha a  presença material , espiritual e afetiva. Minhas orações e interseções aos Bons Anjos pelo bem dos que me são caros. Tenho a Luz de Deus refletida em minha essência .  Que emanam das minhas mãos de artista e que plasmam para o mundo real , a Beleza , a Leveza e a Aura das Artes dos planos intangíveis para muitos de nós, humanos encarnados neste mundo ainda tão atrasado moralmente...
 Tenho muito a ensinar , a aprender e a compartilhar. Tenho afetividade acumulada em meu ser  de uma forma sobre-humana... O Amor que existe em mim pelos seres humanos a quem amo alcança alturas sublimes com sua frequência vibracional. E este amor puro, se irradia em meus pensamentos e alça voos infinitos e eternos... O Amor puro, vive eternamente!  Este amor se reflete luminosamente na minha dedicação á minha família. Ás minhas plantas e flores ( que são essenciais á minha permanência neste mundo desconhecido e inóspito, onde me encontro provisoriamente). Amor pelos meus Peixes e por todas as obras celestiais do meu Deus Querido e Misericordioso. Artista-Maior e dono de todas as coisas deste mundo e de todos os outros que flutuam nas mais variáveis dimensões do Infinito Espacial.
   Mas aqui, no meio deste mar de imoralidade , de corrupção. De traições crueis . De ausência de sentimentos fraternos e igualitários . Neste oceano capitalista que afoga os deslumbrados novos-ricos na vaidade imbecil e podre. Que esmaga os miseráveis sociais e deserdados... Mar escuro , sombrio e tenebroso oculto no silêncio traiçoeiro dos corações desumanos de uma maioria dominante. Que reina neste orbe de Provas e Expiações e que fazem a vida , aqui na Terra , ser uma vida bastante difícil...
   Confesso:  Ser bom , honesto , digno , leal e fiel á Deus , á minha família , a mim mesmo e aos poucos á quem amo especialmente , é algo complicado.  É uma escolha. Uma missão assumida. Ter a responsabilidade de ser uma ILHA , é algo conflituoso. Pois dói muito sê-la !!!     Ilhas são solitárias... Ilhas são afastadas do resto do continente... Me sinto uma ilha e sei do valor moral de poder ajudar , rezar e interceder pelo bem e pelo progresso de alguém. Esse tipo de ilha, a da segurança , do esteio , da constância e do amor altruísta é, normalmente uma ilha que sofre as duras tribulações e as intempéries dos mares humanos que a cercam... Sofrem com as ondas destruidoras das ingratidões , com os ventos frios das indiferenças . Com as tempestades das afetividades abandonadas e esquecidas... Com o calor inclemente do Sol da falta de valorização e reconhecimento.  Enfim...   Ser uma ilha do bem , é doloroso e solitário, de fato...
   Deus sabe o valor de manter algumas " ilhas" neste planeta afogado de imperfeições de todas as vertentes morais... Neste mar de degenerados , que se comprazem na perdição de seus vícios mais torpes , existem aqueles , que mesmo mergulhados até o pescoço em atos nada edificantes, conseguem visualizar pontos de luz na linha do horizonte... E que , no fundo de suas almas saturadas , desejam se purificar. Desejam ser salvas e evoluírem moralmente.  É para esses indivíduos , que Deus criou as ilhas. Ilhas de Luzes que são as centelhas divinas em forma de " faróis" que estão posicionados nos corações amorosos destas poucas , mas providenciais pessoas que já adquiriram certo progresso moral e espiritual e que se ofereceram para tais missões de guiar almas da escuridão plena para a plenitude da Luz eterna.
  Faróis que sinalizam os navios abarrotados de pessoas que rumam aos rochedos dos vícios e que , perdidos no escuro intenso das trevas morais de suas almas , acabam por se afogar no choque fatal contra estes rochedos das provações terrenas...
 É triste e sublime , ao mesmo tempo  ter a responsabilidade de ser uma Ilha...   Triste , porque é sempre um ato de solidão trilhar um rumo firme e consciente , contra a correnteza dos demais , que te empurram , machucam , esmagam , saqueiam , usam e te ferem as emoções nos caminhos opostos aos que desejas chegar neste duro embate no contra fluxo das tendências inferiores da maioria dos moradores deste oceano, chamado TERRA.
  E digo que é ao mesmo tempo , algo sublime, porque ser uma ILHA , é ser depositário da confiança do nosso Pai: Deus, no fiel cumprimento desta sagrada missão. É receber talentos , praticar  atitudes e emanar fluidos de luz e paz que possam cativar e conquistar , aos poucos , , novos moradores para esta pedaço seguro de terra.   É ser importante referência de segurança , amor e verdade para os que ainda se encontram vulneráveis nos mares da vida.  É ser um porto seguro . Uma abrigo . Um Lar...
  Ser uma Ilha de Deus é uma missão para poucos. E apesar de reconhecer toda a dor , toda a solidão e toda a contradição dos sentimentos humanos ainda tão falhos nos tripulantes e passageiros dos navios e embarcações que navegam aos milhares nos caudalosos e traiçoeiros mares das tentações comprometedoras do livre-arbítrio mal utilizado. Ainda assim, apesar de todo o ônus emocional e físico, agradeço á Deus por ter me concedido a Graça de poder ser uma pequena ILHA.  E poder servir e dedicar o bem , aos que se aproximarem de mim.   Uma ilha que jamais deixará de proteger e velar por aqueles a quem ama...
     Mesmo estando solitária , uma ilha é um ponto de salvação para os que se perdem... Mesmo sentindo falta de muitas coisas , cá estou eu !  Sou uma ILHA criada por Deus.   E é preciso que eu me mantenha firme  e forte.  Apesar das vicissitudes. Pois se esta ilha sucumbir e desaparecer , para onde nadarão os náufragos ?
----------------------------EDUARDO ARAÚJO-------------------------------































6 comentários:

  1. Não somos somente "ilhas" meu querido irmão. Somos também, "luz na escuridão"! Lembra disto? Toda luz que se propaga na escuridão ilumina, mesmo que pequena, o maior dos lugares sombrios.Mesmo que não consigamos alcançar a todos,podemos ao menos clarear suas vidas e seus caminhos! Nunca esqueça disso! Essa é a nossa missão! Aqui se faz a resistência! Um grande abraço!

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  2. E os faróis vão aumentar! O mundo através das últimas descobertas científicas terá a certeza plena da existência de Deus, e isso acarretará numa nova postura em relação ao modo de viver de cada ser humano! como numa música do Renato Russo "... e nossa história não estará pelo averso assim sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar... E até lá, vamos viver! Temos muito ainda por fazer... Não olhe pra trás, apenas começamos..."

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  3. Antes ser ilha que continente desértico. Antes ser ilha que oceano sem norte. Antes ser ilha que acolhe náufragos e é refúgio de navegadores perdidos.

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  4. Agradeço veementemente aos meus diletos amigos. Que souberam tão habilmente expôr seus pontos de vista sobre minha crônica , de uma forma tão significativa e colaborativa. Obrigado pela atenção e valor que a mim são dedicados. Abraços e Feliz Natal !

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  5. http://ofelino.blogspot.com.br/2013/02/eu-sou-uma-ilha.html

    por PAULO VILA MAIOR

    Sou um território minúsculo. Só vejo mar à minha volta. E, todavia, não sou invadido pelas águas corrosivas, não deixo que o salitre se insinue na ossatura que é meu salvo-conduto no meio do mar.
    Vejo-o, o mar, de todas as formas e feitios, os dias seguidos. Quando a bonança vem encavalitada no anticiclone, o mar faz-se chão. Convivemos, trocamos palavras de circunstância, umas vezes. Noutras vezes, quando o mar entristecido mal consegue bater nas pedras gastas que me protegem, quer que seja seu confessor. Debita a amargura que o consome – talvez porque foi habituado a ser tratado com respeito, o mar assim alcandorado ao trono onde é indomável. Dessas vezes, tão chão, nem consegue respingar umas lágrimas que se vejam para rimar com a melancolia que dele se apoderou. Coriáceo, dou ouvidos aos lamentos.
    Algumas vezes o mar me pediu conselho. Mas eu sou mau a dar conselhos. Devia ser o mar a dá-los, os conselhos. Porque eu nasci ilha e ilha hei de partir sem memória. A insular condição é irremediável. Tal como ao mar alinharam o indomável atributo, de mim, ilha que sou, diz-se que fui feito para apascentar a solidão. Não há ilhas à minha volta, sequer. Ilhas que pudesse namorar de longe, arroteando um amor platónico que ao menos servia para dissolver a monotonia da solidão. E não choro, não por falta de lágrimas como ao mar acontece quando está tão chão. Não choro porque, pétreo que sou, não me foi concedida a graça das lágrimas. Ganhei reputação de duro por suportar as fúrias do intempestivo mar quando, derrotado o anticiclone, ele se renova desde o fundo mais fundo e se atiça com ondas majestosas contra os meus contrafortes.
    A solidão ensinou-me a não ter medo do medo. Nem quando as ondas se esmagam com estrépito, ou quando ameaçam submergir-me num abraço medonho. Eu sei que as tempestades passam. Aprendi a passar os dias tingidos pelas tempestades. Aprendi, até, a conviver com o mar quando ele vegeta no esquecimento e me atemoriza com o seu desarranjo tempestuoso. Sempre me disseram, desde a tenra idade em que as evocações chegam à memória, que uma ilha tem de ser uma fortaleza inteira. Imune às contingências. Sagaz na sobrevivência. E tutora da solidão.
    Porque, numa ilha, a solidão não tem o sentido dos lugares onde a solidão faz sentido.

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