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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

-REFLEXÕES & CRÔNICA SOBRE ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY-















O Texto Exprime um convite à reflexão filosófica desta questão abordada poéticamente na citação de Saint-Exupèry . Á um momento de pausa para se repensar sobre nossos " valores " na vida. Na busca desenfreada pela satisfação carnal de nossos instintos. Do esquecimento das coisas simples e puras. As que realmente são as que mais valem para nossas almas tão carentes de Deus. Que são , com efeito , o nosso maior e mais pleno TESOURO: A PAZ , o AMOR PURO , a LEALDADE e a FIDELIDADE . O Reconhecimento à quem gosta de nós mesmos sem nenhum outro interesse , senão o de nos ver bem . Plenos , íntegros e cheios da Presença Divina em nossos corações e atitudes...



O texto evoca , criticamente , a busca incessante pela QUANTIDADE. Esquecendo do singular valor da QUALIDADE... De nada vale estar perdido e só no meio de uma multidão que se busca e se consome nas permicividades de baixas vibrações morais. Mas que é igualmente vazia e seca por dentro... Quem assim vive, se perde! Se esquece de quem é ou de quem foi um dia ... Perde-se, enquanto ser humano. Perde-se , enquanto ser espiritual. Perde-se na sua essência e no seu Elo com o seu Criador: DEUS .

De nada adianta se deslumbrar com as fugidias e vãs ilusões e noitadas de festas. Quando a sua vida cotidiana é maior que isso. Ou pelo menos , merecia ser.... Estar vivo e ter saúde , é um grande presente do Criador... E por gratidão à Ele , não deveríamos nos desvalorizar , sucumbindo gradativamente nos vícios de quaisquer ordens. Quem se sente vazio , deve buscar uma real segurança no amparo . É isso que nos preenche da carência e da necessidade instintiva na busca por um " Porto seguro". De um ombro amigo e realmente confiável , à quem possamos fechar nossos olhos, saturados das falsidades hipócritas do mundo em que somos forçados a viver. De podermos dormir e entregar , sem medo , as nossas vidas e os nossos sonhos nas mãos de quem os possa merecer . Certos de que jamais seríamos traídos ou substituídos...
Alguém para dividir sonhos. Multiplicar esperanças. Somar Amores, subtrair a solidão e a sensação de " oco" de uma existência superficial . Sei que tudo parece utópico... Mas não se esqueçam ! Estamos falando de SONHOS !!!!!!!
Ás vezes , o que tanto procuramos nas multidões , já havíamos encontrado. Pela interferência do Deus Único. Na figura singular de alguém realmente bom. E que já gosta de nós de forma jamais comparável com áqueles tantos que se amontoam em locais movidos a álcool , som alto , drogas , permicividades e distância plena da Presença de Deus-Pai.

De que valem as cinco mil rosas no jardim das ilusões , se todas elas podem vir a nos ferir o coração ??? Suas belezas são inegáveis, porém , são vazias... Não vão além de suas efêmeras e atraentes aparências de flor... A rosa . A que mais vale ,de fato . É aquela . A única que nos viu com os olhos imateriais do coração. Aquela que orou por nós , quando estávamos tristes e fragilizados. Que riu conosco , quando estávamos felizes. Que se importou conosco , sem pedir nada em troca. A Rosa Singular que buscou cativar o coração de quem se disse apto , sensível e digno de tal concessão divina. A mesma rosa que hoje , jaz , esquecida...
Quando tudo acabar... Quando a beleza da juventude se for... Quando a aparência física já não for o nosso mais belo atributo, o que restará de nós, se não tivermos o principal: O Conteúdo ????
Existem estações em as flores não estarão presentes no jardim... Só existiram as folhas. Nuas e sem disfarces... Os indivíduos da forma que são... Sem os atributos mascarados de suas " flores" . Que como perigosas armadilhas , podem nos arruinar . A Beleza física também é uma forma de provação. E se não for bem canalizada para um propósito de cunho superior, pode nos empurrar para um abismo. A Beleza da Alma , esta sim! É sempre redentora e transcendente...

Devemos cultivar Essência e Verdade em nossos sentimentos. Propósitos e atitudes coerentes e permanentes. Sem buscar ferir com nossos espinhos de flor , os corações alheios...

A Rosa , àquela que foi esquecida pelo tempo. Mesmo sem a beleza jovial de suas pétalas ou sem o seu suave e atraente perfume. Ainda estará lá... Viva nas lembranças , nas palavras plantadas como ricas sementes nos corações de quem a mesma tentou verdadeiramente cativar e na consciência doída de quem, por ingratidão , a deixou fenecer triste e esquecida...

O tempo passará e a fase das " descobertas" mundanas , também... E caberá aos que não souberam ver na rosa singular , o seu maior presente e a sua melhor amiga. Uma complicada sensação de se lidar. Ficará, então , a certeza de terem irresponsavelmente disperdiçado voluntariamente um precioso tesouro vindo de um outro tipo de plano... Um plano imaterial. Onde as Rosas jamais murcham... Onde elas sempre serão lindas e eternas. Habitantes de um divinal Jardim situado num plano espiritual... Um plano onde Deus é presente em todos os pensamentos. Em todos os atos... Em todas as comunicações entre os seres... E caberá aos que se esqueceram da rosa vinda do alto , a saudade e o vazio. Pois , nesta fase de suas vidas terrenas, já terão como resultado de suas escolhas , a cruel sensação de terem se tornado tristes " ilhas" . Cercadas de vazio , saudades , remorsos , perdas afetivas relevantes e certezas de terem sido usadas apenas pelos valores materiais que possuíam na Terra . E pelas dores das buscas vãs e equivocadas que fizeram ao longo de suas jornadas... É o Livre-Arbítrio , meus caros !!! E Que bem poucos os souberam usar com a devida sabedoria ou prudencia ... Lamento por essas Ilhas humanas , que viverão a saudade do que jamais puderam conhecer... E tudo isso é o amargo fruto de suas equivocadas escolhas.... Que Deus Seja por Todos Nós, Pobres seres falhos e Mortais !!!



--- EDUARDO ARAÚJO---



terça-feira, 4 de outubro de 2011

-O Príncipe e a Raposa-( Fragmentos do livro: O Pequeno Príncipe)

















-Este é o livro mais lindo que eu já li ! Me identifico inteiramente com seu conteúdo subjetivo... História de uma grandeza filosófica e moral ímpar !
Recomendo á todos lerem , ao menos , este trecho que publiquei aqui, no meu blog.- (Eduardo Araújo.)
















---( O PRINCIPEZINHO - LE PETIT PRINCE )--- SAINT EXUPÉRY
CAPÍTULO XXI

E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia! disse a raposa.

- Bom dia ! respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui ! disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa ! disse a raposa.

- Vem brincar comigo ! propôs o principezinho. - Estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo. disse a raposa. - Não me cativaram ainda...

- Ah! desculpa ! disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:


- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens. disse o principezinho. - Que quer dizer "cativar"?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?

- Não! disse o principezinho. - Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É uma coisa muito esquecida... disse a raposa. - Significa "criar laços..."

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. - Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender, disse o principezinho. - Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito!!! suspirou a raposa.


Mas a raposa voltou à sua ideia.

- Minha vida é monótona... Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de Sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma... E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor... cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...



No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo


Depois ela acrescentou:

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.



- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

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